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Oscar (à esquerda) conquista seu primeiro título nas categorias de base do clube (Foto: Acervo Histórico)

Antes de se tornar um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma referência eterna da Seleção Brasileira de Basquete, Oscar Schmidt – que morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos – deu seus primeiros passos como atleta profissional vestindo a camisa alviverde. Foi na Sociedade Esportiva Palmeiras que o jovem talento iniciou uma trajetória que, anos depois, o levaria ao reconhecimento internacional.

A estreia no time adulto do Verdão aconteceu em 30 de agosto de 1975, no ginásio do Sírio, pelo Campeonato Brasileiro – tinha apenas 17 anos. Na derrota por 80 a 72, Oscar marcou seus primeiros quatro pontos. À beira da quadra, havia outro gigante: Wlamir Marques foi quem lhe deu a primeira oportunidade na equipe principal.

Ainda em 1975, o jovem participou da conquista do Campeonato Adulto da Grande São Paulo e, meses depois, já cruzava o oceano com o Palmeiras para disputar o tradicional Torneio de Navidad, em Madri, na Espanha, organizado pelo Real Madrid. O vice-campeonato veio com um feito marcante: o time alviverde anotou 100 pontos contra os anfitriões. Em três jogos, Oscar somou 47 pontos.

Nos anos seguintes, seu desenvolvimento foi rápido. Em 1976, integrou o elenco campeão paulista sob o comando de Cláudio Mortari, dividindo quadra com nomes consagrados como Ubiratan, Carioquinha e Ghermann. Mas foi em 1977 que o craque deixou de ser promessa para se tornar protagonista.

Naquele ano, o Palmeiras conquistou o Campeonato Brasileiro em uma final histórica contra o Flamengo, em Belo Horizonte (MG). O quinteto inicial, formado por Gonzalez, Oscar, Gilson, Carioquinha e Ubiratan, entrou para a história ao garantir o primeiro título nacional do clube na modalidade. Na sequência, a equipe ainda foi vice-campeã sul-americana, com Oscar como cestinha da campanha.

Oscar Schmidt com a camisa do Palmeiras (Foto: Acervo Histórico)

Também em 1977, ao lado de Carioquinha, ajudou a popularizar a “ponte aérea”, jogada ofensiva em que um atleta lança a bola próxima à cesta para que um companheiro, em movimento ou salto, a receba no ar e faça o arremesso ou a enterrada.

Em 1978, Oscar se despediu do Palmeiras na final do Campeonato Brasileiro. Mesmo na derrota para o Sírio, deixou a quadra com mais uma atuação marcante, anotando 20 pontos na decisão. Naquela edição, registrou ainda sua maior pontuação pelo clube: 40 pontos contra o Petropole Gaúcho.

Se Oscar nasceu como atleta profissional no Palmeiras, foi com a camisa da Seleção Brasileira que ele se eternizou. O Mão Santa protagonizou uma das maiores façanhas do basquete mundial ao liderar o Brasil na conquista do ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, derrotando os Estados Unidos.

Ídolo do esporte brasileiro, Oscar eternizou a camisa 14 (Foto: Acervo Histórico)

Disputou os Jogos Olímpicos de Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996. É o recordista de participações olímpicas na modalidade, com cinco, ao lado do porto-riquenho Teófilo Cruz e do australiano Andrew Gaze.

Talentoso, dedicado e profissional ao extremo, foi o cestinha dos Jogos em 1988, 1992 e 1996. Mais do que isso, é o maior cestinha da história das Olimpíadas, com 1.093 pontos. Ninguém acertou mais cestas de dois pontos, de três pontos e lances livres do que ele em Jogos Olímpicos.

Em Seul, Oscar se tornou o maior cestinha de uma partida de Jogos Olímpicos ao assinalar 55 pontos contra a Espanha e conseguiu a impressionante média de 42,3 pontos por jogo, recorde até hoje. Vale destacar que, em 1988, já tinha 30 anos.

Ao longo da vida, recebeu inúmeras homenagens que refletiram sua grandeza. Em 1991, foi nomeado um dos 50 Maiores Jogadores de Basquete da História pela FIBA, a Federação Internacional de Basquete; em agosto de 2010, foi incluído no Hall da Fama da FIBA; em 2013, Oscar, mesmo sem nunca ter atuado na NBA, colocou seu nome no Hall da Fama do Basquete dos EUA.

Em 2019, Oscar Schmidt foi homenageado no clube